ARTIGO – As encruzilhadas do imperialismo e a situação da classe trabalhadora

“O mundo passa, desde pelo menos 2008, por um verdadeiro turbilhão político e econômico. Nos países centrais, Europa e Estados Unidos, as promessas do livre mercado, do desenvolvimento continuado sob a base do livre tráfego de mercadorias e dinheiro falharam copiosamente. O fantasma do desemprego e o rebaixamento do nível de vida assombram os trabalhadores dos países ditos de primeiro mundo. Esse fenômeno tem alavancado alternativas nacionalistas e intervencionistas com a promessa de recuperar o emprego e resguardar o nível de vida geral. Eis, nesse novo cenário, uma guerra de tarifas puxadas pelos Estados Unidos e a saída do Reino Unido da União Europeia.

Por outro lado, nos países periféricos vemos uma situação análoga, mas que expressa o outro lado da moeda. A restauração capitalista na China em fins dos anos de 1970 fez com que as grandes empresas capitalistas voltassem seus olhos para uma população de dois bilhões de habitantes: fonte de mão de obra barata e, ao mesmo tempo, um novo mercado consumidor para as empresas de todos os ramos. Combinado a este processo, temos uma nova revolução tecnológica nos anos de 1980: a revolução eletroeletrônica. Para os países asiáticos se moveram a maior parte das unidades produtivas recém-criadas.

Assim, naufragou os projetos desenvolvimentistas dos países periféricos da América Latina, África e Oriente Médio.

Nessas extensas áreas do globo terrestre vemos um continuado processo de desindustrialização, fazendo com que tais países, cada vez mais, tornem-se, como 100 anos antes, meros exportadores de matérias-primas de todos os tipos. Fracassam, assim, os projetos desenvolvimentistas nacionais, sejam de corte liberal ou intervencionistas. Elevam-se as migrações de trabalhadores dos países periféricos para os países centrais e as alternativas políticas clássicas, sociais-democratas e sociais liberais, naufragam irremediavelmente.

Nesse artigo, procuramos ilustrar essa dinâmica com a análise de alguns fenômenos marcantes que se desdobram no setor automobilístico e de aeronaves, sobretudo na General Motors e Embraer. Tomamos essas empresas apenas como ponto de partida para um debate mais amplo: o mecanismo de exploração capitalista na época imperialista e o ponto em que se encontra na atualidade. Em particular, procuramos indicar como os países imperialistas dominam o mercado mundial, mas de modo algum o controlam. Cada saída apresentada produz, no polo oposto, contradições e instabilidades que fazem emergir, cada vez mais, novos problemas.

Nos afastamos, assim, das vertentes que interpretam o imperialismo como uma teoria político-conspiratória que tem o destino de sete bilhões de pessoas em suas mãos. Indicamos, em sentido contrário, que se trata de uma dominação política e econômica sobre um oceano indomável de contradições insolúveis e incontroláveis. É nesse sentido que procuramos fornecer elementos para a tese de que o Estados Unidos, nos dias de hoje, apesar de não possuir um rival imediato no que diz respeito a dominação imperialista, tem seu domínio enfraquecido diante das instabilidades que se aprofundam, sobretudo, desde a crise de 2008.”

Artigo retirado do Anuário Estatístico ILAESE: Trabalho e Exploração 2019

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